segunda-feira, 30 de março de 2009

A Cinédia lança Oscarito e Grande Otelo

Grande Otelo

Oscarito

A história do cinema falado brasileiro abre-se com um longo e penoso reinicio. Durante as décadas de 1930 e 1940, a infra-estrutura para a produção de filmes se sofistica com a instalação do primeiro estúdio cinematográfico no país, o da companhia Cinédia, no Rio de Janeiro.
Adhemar Gonzaga idealiza a Cinédia, que se dedica a produzir dramas populares e comédias musicais, que ficam conhecidas pela denominação genérica de chanchadas. Humberto Mauro assina o primeiro filme da companhia, “Lábios sem beijos”. Em 1933, dirige, com Adhemar Gonzaga, “A voz do carnaval”, com a cantora Carmen Miranda. A Cinédia, com a comédia musical – como “Alô, alô, Brasil, alô, alô, Carnaval” e “Onde estás, felicidade?” –, lança atores como Oscarito e Grande Otelo.

Humberto Mauro: o 1º Cineasta Brasileiro


Humberto Mauro (1897-1983) é considerado o primeiro grande cineasta revelado pelo cinema brasileiro. Nasce em Volta Grande (MG), mudando-se ainda na infância para Cataguases, onde atua no teatro amador. Cursa o primeiro ano de engenharia em Belo Horizonte, enquanto trabalha no Minas Gerais, o diário oficial do Estado. Na década de 20, conhece o fotógrafo Pedro Comello, com quem faz os primeiros filmes. Na primavera da vida, “Tesouro perdido” (1927), “Brasa dormida” (1928) e “Sangue mineiro” (1929) formam a fase de Cataguases. Em 1930 vai para o Rio e produz filmes pela Cinédia. Em 1933, realiza “Ganga bruta”, sua maior obra-prima. Em 1937, produz documentários para o Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE). Seu último filme, “Carro de boi” (1974), trata de temas da infância e juventude.

1º Filme Nacional Inteiramente Sonorizado

O ciclo pernambucano, com Edson Chagas e Gentil Roiz, é o que mais produz. Os primeiros filmes, de 1925, “Retribuição” e “Jurando vingar”, são de aventuras, que contam até com personagens que lembram caubóis. Os temas regionais aparecem com os jangadeiros de “Aitaré da praia”, com os coronéis de “Reveses” e “Sangue de irmão”, ou com o cangaceiro de “Filho sem mãe”.
Em São Paulo, José Medina, acompanhado do cinegrafista Gilberto Rossi, dirige o longa “Fragmentos da vida”, em 1929. No mesmo ano, é lançado o primeiro filme nacional inteiramente sonorizado: “Acabaram-se os otários”, de Luiz de Barros.

(Cenas do filme de 1929 "Acabaram-se os otários").

No Rio de Janeiro, em 1930, Mário Peixoto realiza o vanguardista “Limite”, influenciado pelo cinema europeu.
Datam destes anos também os primeiros sinais da tomada de consciência cinematográfica nacional, com as revistas e jornais dedicando colunas e matérias ao filme brasileiro, como por exemplo a Cinédia.
Humberto Mauro demonstrou que o cinema nacional começava a dominar os recursos do cinema narrativo.

3ª fase (1923-1933) - Os Ciclos Regionais

(Cartaz original do curta "João da Mata -Um Documento", que faz parte do acervo do Oscar em Hollywood - Desenho de Beto Fiori).


Aproximadamente em 1923, dobra a média anual de filmes, há progresso na qualidade, e a produção estende-se a Campinas (SP), Pernambuco, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, além do Rio de Janeiro e São Paulo.
Na cidade mineira de Cataguases, o fotógrafo italiano Pedro Comello inicia experiências cinematográficas com o jovem Humberto Mauro e, juntos, produzem Os três irmãos (1925) e Na primavera da vida (1926). O movimento gaúcho, de menor expressão, destaca Amor que redime (1928), um melodrama urbano, moralista e sentimental, de Eduardo Abelim e Eugênio Kerrigan. Em Campinas, Amilar Alves ganha prestígio com o drama regional João da Mata (1923).

2ª Fase (1912 – 1922) - Primeira Crise no Cinema Brasileiro

Este período é marcado pela primeira grande crise do nosso cinema, com problemas de produção e dificuldades de exibição nas salas de cinema, ocupadas pelos filmes norte-americanos, que vinham predominando no mercado mundial. Nestes anos, o cinema brasileiro foi amparado pela produção de documentários e cine-jornais, que levantavam recursos para a produção de filmes de ficção. São dessa época as chamadas "cavações" onde, por exemplo, uma grande indústria contrata um cinegrafista e sua equipe para fazer um documentário institucional sobre a empresa, ou ainda importantes famílias encomendavam o registro de casamentos ou batizados. Entre os filmes desse tempo, destacam-se os calcados em obras célebres da literatura brasileira, principalmente as do período romântico.

Filmes Cantados

Paralelamente, Cristóvão Guilherme Auler e Francisco Serrador realizam os chamados filmes cantados ou falados, em que os artistas se escondem atrás das telas e acompanham com a voz a movimentação das imagens. Algumas dessas fitas são apresentadas centenas de vezes, como “A viúva alegre”, em três versões realizadas por Antônio Leal, Cristóvão Auler e Francisco Serrador. Dentro desse estilo, destaca-se “Paz e amor” (1910), produzido por Auler e filmado por Alberto Botelho, o primeiro no gênero de filme-revista, que focaliza figuras e acontecimentos político-sociais da época.

1ª Fase (1896 - 1912) - A Idade do Ouro

Entre 1908 e 1911, forma-se um centro carioca de produção de curtas que, além da ficção policial, desenvolve vários gêneros: melodramas tradicionais (A cabana do Pai Tomás), dramas históricos (A república portuguesa), patrióticos (A vida do barão do Rio Branco), religiosos (Os milagres de Nossa Senhora da Penha), carnavalescos (Pela vitória dos clubes) e comédias (Pega na chaleira e As aventuras de Zé Caipora).
O Rio conheceu a idade do ouro do cinema brasileiro, predominando uma produção em que os filmes reconstituíam os crimes, crapulosos ou passionais, que impressionavam a imaginação popular. Essa idade do ouro não poderia durar, pois sua eclosão coincide com a transformação do cinema artesanal em importante indústria nos países mais adiantados.
Há um êxodo dos profissionais da área para atividades comercialmente mais viáveis. Outros sobrevivem fazendo "cinema de cavação" (documentários sob encomenda). Dentro desse quadro, há manifestações isoladas: Luiz de Barros (Perdida), no Rio de Janeiro, José Medina (Exemplo regenerador), em São Paulo, e Francisco Santos (O crime dos banhados), em Pelotas (RS).
Todas as filmagens brasileiras realizadas até 1907 limitavam-se a assuntos naturais. A ficção cinematográfica, o "filme posado" só apareceu com o surto de 1908 e a primeira fita de ficção realizada no Brasil foi “Os estranguladores” de Antônio Leal.
De 1912 em diante, durante dez anos, foram produzidos anualmente apenas cerca de seis filmes de enredo, nem todos com tempo de projeção superior a uma hora. Um grande número de fitas inspiradas na nossa literatura, em especial na romântica Inocência, “A Moreninha”, “O Guarani” e “Iracema”.
Os principais realizadores do período foram Francisco Serrador, Antônio Leal, os irmãos Botelho e o cineasta italiano Vittorio Capellaro.

Os pioneiros do cinema no Brasil


Quanto aos homens que abordaram o cinema como negócio, eles não pertenciam ao mundo comercial estabilizado e rotineiro dominado por portugueses. Eram quase sempre italianos aventureiros. Esses empresários atuavam como produtores, importadores e proprietários de salas, tudo ao mesmo tempo, situação que condicionou ao cinema brasileiro um harmonioso desenvolvimento, pelo menos durante poucos anos.

As primeiras produções cinematográficas


A comercialização de filmes estrangeiros é seguida por uma promissora produção nacional. Documentários em curta-metragem abrem caminho para filmes de ficção cada vez mais longos. “Os estranguladores” (1908), de Antônio Leal, baseado em fato policial verídico, com cerca de 40 minutos de projeção, é considerado o primeiro filme de ficção brasileiro, tendo sido exibido mais de 800 vezes. Esse filão é exaustivamente explorado, e outros crimes da época são reconstituídos em “Noivado de sangue”(1909), “Um drama na Tijuca”(1909) e “A mala sinistra”(1908).

Estrangeiros dão início ao Cinema no Brasil


Durante os dez primeiros anos, porém, o cinema teve pouca expressão , tanto como atividade comercial de exibição de fitas importadas quanto como fabricação artesanal local. Só em 1907, houve no Rio energia elétrica produzida industrialmente e então o comércio cinematográfico floresceu com um quadro técnico, artístico e comercial do nascente cinema.
Essa primeira fase do cinema no Brasil era formada quase que exclusivamente por estrangeiros que já tinham alguma experiência na área cinematográfica em seus países de origem.

terça-feira, 24 de março de 2009

O ÍNICIO






Os aparelhos de projeção exibidos
ao público europeu e americano
no inverno de 1895/1896 começaram a
chegar ao Rio de Janeiro em meio deste último ano. Um ano depois, Paschoal Segreto e José Roberto Cunha Salles inauguram, na rua do Ouvidor, uma sala permanente. Em 1898, Afonso Segreto roda o primeiro filme brasileiro: algumas cenas da baía de Guanabara. Seguem-se pequenos filmes sobre o cotidiano carioca e filmagens de pontos importantes da cidade, como o Largo do Machado e a Igreja da Candelária, no estilo dos documentários franceses do início do século.