domingo, 26 de abril de 2009

Diretores do Cinema Novo

Nelson Pereira dos Santos (1928- ), nasce em São Paulo e, no final da década de 40, freqüenta cineclubes e já faz curtas de 16 mm. Em 1953 muda-se para o Rio de Janeiro, onde trabalha como jornalista a partir de 1957. Faz também assistência de direção, montagem, produção e trabalha também como ator. Na direção, seu filme de estréia, “Rio 40 graus” (1954), marca uma nova fase no cinema brasileiro, de busca da identidade nacional, seguido por “Rio, Zona Norte” (1957), “Vidas secas” (1963), “Amuleto de Ogum” (1974), “Memórias do cárcere” (1983), “Jubiabá” (1985) e “A terceira margem do rio” (1994). No centenário do cinema, em 1995, é convidado pelo British Film Institute para dirigir um filme comemorativo, ao lado de diretores como Martin Scorsese e Bernardo Bertolucci.






Glauber Rocha (1939-1981) é o grande nome do cinema brasileiro. Nasce em Vitória da Conquista, Bahia, e inicia a carreira em Salvador, como crítico de cinema e documentarista, realizando “O pátio” (1959) e “Uma cruz na praça” (1960). Com “Barravento” (1961), é premiado no Festival de Karlovy Vary, na Tchecoslováquia. “Deus e o diabo na terra do sol” (1964), “Terra em transe” (1967) e “O dragão da maldade contra o santo guerreiro” (1969) ganham prêmios no exterior e projetam o Cinema Novo. Nesses filmes predomina uma linguagem nacional e de caráter popular, que se distingue daquela do cinema comercial americano, presente em seus últimos filmes, como “Cabeças cortadas” (1970), filmado na Espanha, e “A idade da terra” (1980).





Joaquim Pedro de Andrade (1932-1988) nasce no Rio de Janeiro e cursa a UFRJ. Recebe influências do professor do cinema mudo e fundador do primeiro cineclube brasileiro, Plínio Sussekind Rocha. Na primeira experiência profissional, trabalha como assistente de direção. No final da década de 50, dirige seus primeiros curtas – “Poeta do castelo” e “O mestre de Apipucos” – com os quais consegue uma bolsa para estudar cinema na França e em Londres. De volta ao Brasil, participa do Cinema Novo e dirige importantes obras, como Cinco vezes favela – 4º episódio: “Couro de gato” (1961), “Garrincha, alegria do povo” (1963), “O padre e a moça” (1965), “Macunaíma” (1969) e “Os inconfidentes” (1971).

Carlos Diegues nasceu em 19 de maio de 1940 na cidade de Maceió, em Alagoas, mas foi criado no Rio de Janeiro. Poeta, jornalista e crítico de cinema, estudou Direito na PUC (Rio de Janeiro), antes de ajudar a fundar o Cinema Novo e tornar-se um dos principais líderes deste movimento cinematográfico. Trabalhou como crítico no jornal O Metropolitano. Em 1961, dirige o episódio "Escola de Samba Alegria de Viver" do filme "Cinco Vezes Favela" (1962), uma das obras tidas como fundamentais para a instalação definitiva do Cinema Novo. No final de 1962, o cineasta começa a levantar a produção de seu primeiro longa-metragem, as filmagens começam em 1963 e o lançamento em 1964: “Ganga Zumba”. Mostra-se a cultura negra de forma respeitosa, e rituais de candomblé não são abordados pela ótica da alienação (como ocorreu em outros filmes cinema-novistas). Cantos, danças africanas e capoeira compõem a integridade de um povo, vilipendiada pela condição degradante de escravidão dos personagens. Influenciado pelas técnicas do cinema-verdade europeu, Diegues realiza "A Grande Cidade" (1966), um dos primeiros sucessos de bilheteria do Cinema Novo.
O diretor realiza "Os Herdeiros" em 1969, "Quando o Carnaval Chegar" (1972) e "Joanna Francesa" (1973). A guinada de Diegues para a comédia musical em "Quando o Carnaval Chegar" surpreende a todos. Esse filme recebeu um tratamento cinematográfico ancorado na literatura social daquela década, uma antiga paixão cinema-novista, agora temperada com elementos do chamado realismo mágico. Mesmo partindo de forte referência cinematográfica - a protagonista foi Jeanne Moreau, musa francesa -, a obra carrega um tom literário, presente nas falas dos personagens, extravasando para os enquadramentos, movimentos de câmera e posicionamento dos atores, tudo de forma a assumir certa postura solene. " Em "Xica da Silva" (1976) aparece um cinema preocupado com o espetáculo, foi um estouro de bilheteria, marcando a definitiva aproximação de um importante autor cinema-novista com o mercado. Lança "Chuvas de Verão" em 1978, "Bye Bye Brasil" (1979), "Quilombo" (1984) e "Um Trem para as Estrelas", em 1987. Todos os filmes do cineasta têm em foco a vida brasileira. Com um sentimento de compromisso entre personagem e enredo, ele combina assuntos sociais e históricos.






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